
Apresentação
Este livro não tem a menor pretensão de ser um tratado sobre o povo Xavante, muito menos um trabalho científico, antropológico ou jornalístico (apesar de minha formação em jornalismo). Meu Avô A´uwê (a´uwê significa índio - em xavante) é o relato de minhas três primeiras visitas a uma aldeia indígena. No caso, a aldeia xavante Wederã.
Em dois momentos distintos surgiu um personagem que foi determinante para o rumo de toda essa história. Especialmente para o rumo da minha vida. E, não por acaso, esse foi um dos xavantes mais importantes e influentes do século XX.
Assim, além de minhas viagens, também conto a história desse índio, o velho Apowe. O xavante foi um dos últimos povos nativos a entrar em contato com os warazu (não-índio - em xavante) e Apowe entrou para a história como o líder que protagonizou o encontro oficial de seu povo com o governo brasileiro. A vida desse cacique foi marcada por muitos outros episódios interessantes. Principalmente para nós, ocidentais warazu, que estamos tão distantes da terra e da natureza. Feitiçarias, espíritos, interações com os sonhos e tantos outros elementos não muito comuns para nós, são parte intrínseca da cultura e do cotidiano xavante.
Quando estive na aldeia, alguns desses elementos vieram à tona e pude presenciar e viver experiências fantásticas. As histórias que conto são fruto do que vivenciei e do que eles me contaram. Portanto, muitas interpretações para os fatos estão baseadas na ótica cultural do xavante. Há várias passagens que até hoje não sei explicar e que, provavelmente, jamais entenderei, mas transmito como aconteceram e as interpreto sob o ponto de vista Xavante.



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