Capítulo 1
Insatisfação
SÃO PAULO
As coisas não estavam boas. Eu morava em São Paulo, mais precisamente no Itaim-Bibi, e trabalhava na Vila Madalena. O descontentamento com o trabalho era tanto que apelidei o curto trajeto de 20 minutos entre o lar e a labuta de "via crucis". Eu era redator de uma produtora de multimídia e fazia historinhas e textos para crianças. Nada contra escrever para crianças. Mas o problema era que, em função dos prazos, preferiam que eu desenvolvesse histórias superficiais e banais ao invés de conteúdos mais elaborados, e isso me irritava e desestimulava profundamente.
Era junho de 2001 e as férias da faculdade estavam chegando. Aliás, a faculdade de jornalismo era outra atividade que não fazia muito sentido. Com exceção de pouquíssimas aulas interessantes, o restante não acrescentava absolutamente nada. Não por acaso era mais fácil me encontrar no bar do que na sala. Pelo menos a minha vida social era divertida - festas, churrascos, bebedeiras e viagens nos finais de semana. Porém, como redator, eu sentia um vazio muito grande. Tanto que precisei inventar um projeto para ter algum estímulo profissional e, por muito pouco, não filmei um curta-metragem que eu havia escrito. Infelizmente, pequenos detalhes me obrigaram a adiar a aventura.
Apesar do desânimo, algo maior me motivava: a paixão por escrever. Eu era novo, tinha 24 anos, e já havia trabalhado em alguns lugares. Minha curta carreira começou em março de 1995, na cidade de São José do Rio Preto, interior de São Paulo, onde fui morar com meu pai e minha irmã. Ali estagiei e trabalhei como repórter esportivo em dois jornais, além de passar por uma agência de propaganda como assistente de atendimento (também conhecido como office-boy de luxo). Depois nos mudamos para Florianópolis, onde também trabalhei em propaganda, como assistente de atendimento e mídia. Em 1998, fomos para Curitiba e tive a minha primeira experiência como redator. Estagiei no departamento de criação de uma das principais agências do Paraná, a Z. Publicidade. De Curitiba retornei para São Paulo, minha cidade natal, onde trabalhei como redator em uma revista sobre animais e em duas agências de propaganda, até chegar à produtora de multimídia em que eu estava no final de 2000. Após esses primeiros anos de experiência, concluí que jamais seria feliz trabalhando em jornais, revistas, agências ou produtoras. Conclusão bastante desanimadora e preocupante para um redator, já que sem essas opções ficara bastante reduzido o campo de trabalho.
Com a proximidade das férias senti que deveria fazer algo, mas não sabia o que. O certo é que precisava dar um tempo, sair de São Paulo e tentar achar algum sentido para as coisas. Foi quando me lembrei de que minha mãe estava morando em Água Boa, no Mato Grosso. Eu não sabia exatamente o que ela fazia lá (e acho que nem ela), mas o certo é que estava na região central do país e tinha contato com alguns índios.
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Insatisfação
SÃO PAULO
As coisas não estavam boas. Eu morava em São Paulo, mais precisamente no Itaim-Bibi, e trabalhava na Vila Madalena. O descontentamento com o trabalho era tanto que apelidei o curto trajeto de 20 minutos entre o lar e a labuta de "via crucis". Eu era redator de uma produtora de multimídia e fazia historinhas e textos para crianças. Nada contra escrever para crianças. Mas o problema era que, em função dos prazos, preferiam que eu desenvolvesse histórias superficiais e banais ao invés de conteúdos mais elaborados, e isso me irritava e desestimulava profundamente.
Era junho de 2001 e as férias da faculdade estavam chegando. Aliás, a faculdade de jornalismo era outra atividade que não fazia muito sentido. Com exceção de pouquíssimas aulas interessantes, o restante não acrescentava absolutamente nada. Não por acaso era mais fácil me encontrar no bar do que na sala. Pelo menos a minha vida social era divertida - festas, churrascos, bebedeiras e viagens nos finais de semana. Porém, como redator, eu sentia um vazio muito grande. Tanto que precisei inventar um projeto para ter algum estímulo profissional e, por muito pouco, não filmei um curta-metragem que eu havia escrito. Infelizmente, pequenos detalhes me obrigaram a adiar a aventura.
Apesar do desânimo, algo maior me motivava: a paixão por escrever. Eu era novo, tinha 24 anos, e já havia trabalhado em alguns lugares. Minha curta carreira começou em março de 1995, na cidade de São José do Rio Preto, interior de São Paulo, onde fui morar com meu pai e minha irmã. Ali estagiei e trabalhei como repórter esportivo em dois jornais, além de passar por uma agência de propaganda como assistente de atendimento (também conhecido como office-boy de luxo). Depois nos mudamos para Florianópolis, onde também trabalhei em propaganda, como assistente de atendimento e mídia. Em 1998, fomos para Curitiba e tive a minha primeira experiência como redator. Estagiei no departamento de criação de uma das principais agências do Paraná, a Z. Publicidade. De Curitiba retornei para São Paulo, minha cidade natal, onde trabalhei como redator em uma revista sobre animais e em duas agências de propaganda, até chegar à produtora de multimídia em que eu estava no final de 2000. Após esses primeiros anos de experiência, concluí que jamais seria feliz trabalhando em jornais, revistas, agências ou produtoras. Conclusão bastante desanimadora e preocupante para um redator, já que sem essas opções ficara bastante reduzido o campo de trabalho.
Com a proximidade das férias senti que deveria fazer algo, mas não sabia o que. O certo é que precisava dar um tempo, sair de São Paulo e tentar achar algum sentido para as coisas. Foi quando me lembrei de que minha mãe estava morando em Água Boa, no Mato Grosso. Eu não sabia exatamente o que ela fazia lá (e acho que nem ela), mas o certo é que estava na região central do país e tinha contato com alguns índios.
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