Thursday, October 26, 2006

CLARA?

O dia seguinte, quarta-feira, foi bastante agitado. Pela manhã, logo que acordei, Valéria, Stella e minha mãe estavam em casa. Antes mesmo de desejar bom dia, perguntaram:

- Pablo, você conhece alguma Clara?
- Conheço, por quê?
- Porque o Marcelo, um arquiteto de São Paulo, que está vindo para a casa da Ely (1), ligou de Goiânia e perguntou se ela conhecia algum Pablo em Água Boa. Ele falou que está vindo com uma amiga de São Paulo chamada Clara e a única referência dela na cidade é um tal de Pablo.

Respondi que conhecia, mas que não deveria ser a mesma pessoa, pois a Clara que eu havia convidado para viajar comigo acabara desistindo. O mistério ficou no ar e eu tinha certeza de que não era ela. Já elas achavam que era a mesma Clara, pois na cidade só havia um Pablo (e ele não devia conhecer muita gente de São Paulo). Ficamos todos com a pulga atrás da orelha. Seria muita coincidência o amigo da Ely estar chegando com a mãe da minha amiga.

Por volta das 11 horas da manhã ligaram da casa da Ely. Os dois chegaram. Nós quatro fomos até lá para conhecê-los e, principalmente, descobrir quem era essa Clara. Chegando na casa, a surpresa: era a mãe da Fernanda, minha amiga. Nós nos cumprimentamos e perguntei o que havia acontecido. Ela respondeu:

- Eu estava colocando algumas roupas para secar no varal, quando o Marcelo, meu amigo, ligou avisando que estava indo para Goiânia. Estranhei Goiânia. Na minha cabeça ainda estava fresca a lembrança da cidade por causa da sua viagem e perguntei o que ele iria fazer lá. Ele disse que, na verdade, estava indo para Água Boa, como arquiteto, para fazer um trabalho para uma amiga de São Paulo. Quando ele falou Água Boa tomei um susto e achei que era muita Água Boa em poucos dias. Perguntei, então, quando ia, e ele respondeu que no final da tarde. Liguei para a Fernanda (que trabalhava numa agência de viagens) e ela comprou a passagem. Não tive nem tempo de explicar ou me despedir direito, deixei as roupas no varal, arrumei a mala e fui para o aeroporto.

Quando ela terminou de contar, o primeiro pensamento que me veio à cabeça foi a disputa entre a Fernanda e eu. A princípio achei que estivesse ganhando no quesito mãe maluca, já que vi a minha com a testa inteira talhada. Mas Clara empatou, e bonito. Ela simplesmente embarcou com o amigo sem saber onde eu estava, o meu telefone e sem fazer idéia de que a Ely poderia me conhecer. Ela sentiu que deveria ir e foi. Independentemente de eu estar lá ou da possibilidade de não me encontrar. Mas, por "sorte", ela viajou com o Marcelo que era hóspede da Ely - amiga nossa.

(1) Ely era sócia da empresa em que a minha mãe trabalhava, em São Paulo, e estava naquela viagem que a fez decidir se mudar para Água Boa, no início do ano. Ely tem uma casa na cidade, a seis quadras da de minha mãe, e estava passando alguns dias com o marido, Zé Carlos.

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